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sábado, 19 de abril de 2008

"el desayuno"


"el desayuno"
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quando a luísa acordou nem queria acreditar... à sua espera tinha: sumo de laranja, morangos, torradas, café, madalenas e, para completar, uma tulipa vermelha...


BSO:
marching bands of manhattan, Death Cab For Cutie


EL DESAYUNOMe gustas cuando dices tonterías,
cuando metes la pata, cuando mientes,
cuando te vas de compras con tu madre
y llego tarde al cine por tu culpa.
Me gustas más cuando es mi cumpleaños
y me cubres de besos y de tartas,
o cuando eres feliz y se te nota,
o cuando eres genial con una frase
que lo resume todo, o cuando ríes
(tu risa es una ducha en el infierno),
o cuando me perdonas un olvido.
Pero aún me gustas más, tanto que casi
no puedo resistir lo que me gustas,
cuando, llena de vida, te despiertas
y lo primero que haces es decirme:
«Tengo un hambre feroz esta mañana.
Voy a empezar contigo el desayuno».

Luis Alberto de Cuenca, EL HACHA Y LA ROSA

terça-feira, 15 de abril de 2008

"malmequeres e polígonos"


"malmequeres e polígonos"
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apresento-vos a laura... está a arrancar as pétalas do mal-me-quer, bem-me-quer...

BSO:
love steals us from loneliness, idlewild

MALMEQUERES E POLÍGONOS

A mesma folha.
De um lado, analisar,
do outro - eu.

Mas o lado primeiro
também eu. Outro eu.

E o que vacila
entre os dois lados
(que não é o que escreve, não querendo,
nem o que malquerendo, move mão)
- eu também. Outro eu.

Eu, terceiro e secante
com os outros dois lados.
Malmequer. Mequermal

No fim das pétalas,
é sempre a mesma folha
com dois lados

(e um outro em Purgatório:
nem inferno, nem céu)

Ana Luísa Amaral (COISAS DE PARTIR - POEMAS)

sábado, 12 de abril de 2008

"corazón tan blanco"


"corazón tan blanco"
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esta é a luísa reina de redonda. vive numa ilha imaginária que corresponde ao ideal da república socrática. é uma sonhadora, portanto...


"Luisa tararea a veces en el cuarto de baño, mientras yo la miro arreglarse apoyado en el quicio de una puerta que no es la de nuestro dormitorio, como un niño perezoso o enfermo que mira el mundo desde su almohada o sin cruzar el umbral, y desde allí escucho ese canto femenino entre dientes que no se dice para ser escuchado ni menos aún interpretado ni traducido, ese tarareo insignificante sin voluntad ni destinatario que se oye y aprende y ya no se olvida. Ese canto pese a todo emitido y que no se calla ni se diluye después de dicho, cuando le sigue el silencio de la vida adulta, o quizá es masculina"

CORAZÓN TAN BLANCO, Javier Marías

quinta-feira, 10 de abril de 2008

"estória para wandy"


"estória para wandy"
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"quero dizer-lhe: muitos mais velhos começam assim uma estória: «era uma vez...», nós começaremos em mais crença: é uma vez uma menina que sabia uma estória. essa estória não era verdadeira, mas de tanto acreditar nela, a coisa se revoltou para averdades. era uma estória muito simples: que uma menina tinha contagiado toda a natureza com seus soluços, e que o universo todo vivia assoluçadamente, embora quem nele vivesse nunca tivesse notado. como a menina trouxera a estória para o mundo, já toda a gente sabia e sentia seus soluços. essa gente toda veio falar com a menina: «a única cura é a muita água!, agora nos regue devidamente», exigiram. a menina nunca tinha regado pessoas nem mundos, só arves e pulantas; e ficou triste. de triste que estava, chorou. da choradeira caíram as tantas lágrimas. da tanta inundação é que as pessoas do mundo deixaram de soluçar umas nas outras. se não me põe crenças, queira explicar: por que o corpo humano, em sua maiorinterna percentagem, é composto de águas?"

HÁ PRENDISAJENS COM O XÃO, Ondjaki (Caminho, 2002)

terça-feira, 1 de abril de 2008

"as meninas"


"as meninas"
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há muito tempo que não fazia uma foto das meninas juntas... gosto de as ver assim!

BSO:
april fools, Rufus Wainwright
[porque hoje é 1 de abril e porque gosto muito desta música]

domingo, 23 de março de 2008

"para vivenciar nadas"


para vivenciar nadas
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a bebel, o girassol e a borboleta... parece que estou com vontade de primavera, sol e coisas amarelas (e de palavras amarelas?)...

samba da bênção, Bebel Gilberto


PARA VIVENCIAR NADAS

borboleta é um ser irrequieto.
para vestes usa pólen.
tem um cheiro colorido
e babas de amizade.
descola por ventos
e facilmente aterriza em sonhos.
borboleta tem correspondência directa
com a palavra alma.
para existir usa liberdades.
desconhece o som da tristeza
embora saiba afogá-la.
usa com afinidades
o palco da natureza.
nega maquilhagens isentas
de materiais cósmicos. como digo:
pó-de-lua, lápis solar
castanho-raiz, cinzento-nuvem.
borboleta dispõe de intimidades
com arcos íris
a ponto de cócegas mútuas.
para beijar amigos e vidas ela usa olhos.
borboleta é um ser
de misteriosos nadas.

Ondjaki, HÁ PRENDISAJENS COM O XÃO (Caminho, 2004)

sábado, 22 de março de 2008

"mrs. dalloway"


"mrs. dalloway"
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a clarissa está muito feliz com a chegada da primavera. tanto que de manhã, quando acordou, "disse que ela própria ia comprar as flores", para dar as boas-vindas à primavera...

banda sonora:
bachelorette, Björk

"Quando lhe perguntaram quem o iniciara na actividade bombista, respondeu que fora a primavera: assistira maravilhado à explosão de vinte e oito primaveras. Passara depois a expedir bombas-relógio para destinatários que procurava nas primeiras páginas dos jornais, e em cuja confecção usava não os vulgares despertadores, mas apenas relógios de cuco."

Jorge Sousa Braga, A GREVE DOS CONTROLADORES DE VOO

domingo, 2 de março de 2008

"tufos de erva"


"tufos de erva"
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não ando muito inspirada para inventar histórias para as minhas meninas... deixo-vos a carminda e um poema de Jorge Sousa Braga.


TUFOS DE ERVA

São tufos de erva. Poderia ter escolhido outro motivo. Mas o que me apetecia pintar eram tufos de erva. O que é que um tufo de erva tem de relevante? Talvez nada. Ou talvez tudo.

Poderia passar a eternidade a pintar tufos de erva. Sem que o motivo se esgotasse. Ou até que eu me transformasse num tufo de erva.

O LÍRIO QUE HÁ NO DELÍRIO, Jorge Sousa Braga